Segunda-feira, 6 de Dezembro de 2010

A Carta

 

 

 

 

 

                                                                                                                                                                               

06 de Dezembro de 2010

 

Olá Belita!!!

 

Minha querida irmã, como estás tu? E logicamente os teus homens e mulher, partindo do princípio que um deles é meu cunhado e todos os outros meus sobrinhos, segundo a nossa lei actual e pela lei natural das coisas por nós aceites.

 

Imagino-te surpresa a olhar para esse envelope. Pois logo pensarás: “ Que está esta minha irmã doida a fazer?”.

 

Não devo estar muito longe da verdade. Porque pensarás assim também: “Se tem email de borla e telefone para ligar, porquê a carta?”… Estou certa?

 

Também não tem importância a certeza, apenas tudo tem uma explicação. Bem como essa minha carta que tens agora entre mãos.

 

Precisamente, fui eu quem escreveu essa carta, a pulso, de caneta em riste, que seguras nas tuas mãos. Não achas mais pessoal? Pois é, até quase já nos esquecemos disso, do quão pessoal uma carta é.

 

Com o frenesim de nossas vidas, o corre-corre infernal, até nos esquecemos das coisas mais simples da vida, uma carta.

 

Hoje em dia é só teclar uns números numa coisa minúscula e começar a falar com outro alguém do outro lado do mundo, o que é óptimo, porque quando se trata de quilómetros de distância, até dá imenso jeito, sem dúvida.

 

Mas pegar na mesma coisa minúscula e ligar a alguém para descer o elevador, porque é preciso ajudar a levar “coisas” para dentro de casa, pois já nem nos damos ao trabalho de tocar a campainha. Embora seja uma tecla, está fora de moda.

 

Agora nós chegamos à porta dos nossos familiares e amigos e vice-versa, telefonamos a perguntar se nos abrem a porta. 

 

No meio do jardim, telefonamos a perguntar onde está o outro, mesmo que este esteja à frente de nossos olhos, mas que tão cegos de teclas estamos, que já nem ao trabalho nos damos de olhar melhor um pouco.

 

O telefone vai para todo o lado, é a companhia indispensável da maioria das pessoas, em alguns casos, até para o WC.

 

No caso do correio electrónico…bem…esse…esse é perfeitamente impessoal. Com um jeitinho todo mundo lê.

 

A nossa caligrafia estraga-se por falta de uso da mesma, além das unhas claro, dado que temos que “dar” com elas em cima do teclado.

 

Até os cartões de Natal já eram…agora é tudo via email e para não dar muito trabalho, vai igual para todos.

 

Posto isto, decidi escrever-te uma carta mesmo, cheiinha das minhas dedadas e agora das tuas (nem se pensa, obviamente, nas mãos que passou antes de mim até a tua pessoa) e com a tinta de uma caneta verdadeira.

 

Seja como for, perfeitamente pessoal, de mim para ti.

 

Deitei para trás das costas a pandemia da gripe, colei o selo com a língua e tudo, meti a carta na caixa do correio e eis agora tu a lê-la.

 

E sabes para quê tudo isto? Para ambas sentir-mos um pouquinho do sabor do passado. Recordar talvez aquelas cartas que ainda hoje conservo, enviadas por ti. Á séculos claro.

 

Ainda tem algo mais a favor, quebramos a rotina, agora no lugar de carregar numas teclas para fechar e abrir cartas electrónicas, fechamos e abrimos ao vivo e a cores uma carta verdadeira.

 

A carta, tal qual era chamada antigamente.

 

Esta carta poderá ter pouco conteúdo mas, fez dela algo especial. E já agora, eu quero uma de volta.

 

Beijinhos para todos.

 

Amanhã ligo-te.

 

Tua irmã

 

Betita

                                                                                                                                                                                                                                     

publicado por Sempre seriamente na boa às 01:15
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